09/10/2009

Jornal do Quotidiano Parvo

Aah… o jornal é mesmo um instrumento pelo qual nos podemos guiar, conhecer o meio em que vivemos e no que nos situamos... há mesmo quem não saia de casa sem antes ler o jornal, ao sabor de um cafezinho e um biscoitozinho ou um bom bolinho... ora hábitos do que são e pelo que são... bons ou maus? É-me indiferente – cada qual come o que se serve a si mesmo! Mas quem lhes liga afinal?!
Enfim... eu, já, também em meu certo tempo tive tempo (que me restava de profundas investigações matemáticas e históricas e culturais, e pesquisas científicas, e até, ao mesmo tempo, a busca pelas origens do homem, do macaco de face vermelha, da rã como a conhecemos hoje e dos nenúfares dos pântanos nemorais) para ler um ou outro jornal.
E, assim, depois de vários anos separado do mundo quotidiano, deparei-me com um mundo diferente e estranho... as notícias, anúncios, e afins eram completamente... hum... ora pois como dizer isto de maneira mais adequada...?! bem, vejam por vossos próprios olhos.

Por exemplo, foi-me absurdamente reconfortante defrontar-me com este artigo:

Poucas coisas me satisfazem tanto ou mais que saber que, no meio de todo o actual terrorismo, a “grande” potência mundial perde esta coisa, pois como se mera coisa fosse. E pode ser até que daí saiam mais um dos seus jogos entre nações, enquanto os famintos morrem de frio, e outros morram de morte... “a caça à bomba”, ironia e idiotice...
US president - Mommy a lost my game-boy…
US presidents’ mom - Where was it last time you saw it?
US president - On the atomic bomb dad gave me last month… I lost it along with the game-boy!


Ou então saber que circulam as mais diversas, interessantes, instructivas e productivas notícias num jornal do dia a dia, ora senão vejamos:

Pois porque a arte de varejar, isto é, tirar azeitonas de uma árvore com uma vara, é-nos de extrema importância tanto artística como social, cultural, cienífica e em tantos outros aspectos que possamos imaginar. E assim de tal maneira que tem o seu lugar na quarta página deste jornal, enquanto outras notícias de menor importância ficam naturalmente para trás... reparem até na estátua em homenágem a esta grandiosa arte. Faz-me confuso pensar que gastaram dinheiro para a produção de tal objecto.. talvez o dinheiro gasto poderia ser, ao invés, usado para a construção de um quarto de uma das 24 potenciais casa a serem destruidas pela futura construção do TGV, como indica uma das notícias que consta em páginas mais à frete do jornal, pois por sua insignificância de importância. Mas sim, talvez o TGV deva mesmo ser construido sob qualquer custo, incluindo a maciça destruição de habitações de indefesos cidadãos.. assim este comboio poderá percorrer a distância do nosso comprido país em cerca de 3 nanosegundos, ou talvez a extenção do próprio comboio seja igual ao deste país e deixe-se ficar imóvel enquanto as pessoas entram nele e caminham pelas carruagem para viajarem entre estações. Só uma ideia, nada mais...


“Entre-linhas” encontra-se também a vasta sabedoria dos homens, demonstrada da mais hedionda maneira, mas quem sou eu para julgar tamanha sabedoria...?!

“A polícia nigeriana prendeu uma cabra por suspeitar do seu envolvimento num assalto à mão armada, avançou a Reuters. Seguranças levaram o animal negro e branco à polícia, dizendo que usou magia negra para se transformar na cabra e, então, escapar à prisão depois de ter roubado um Mazda 323. «O grupo de homens ralatou que durante uma patrulha viu uns vultos a tentar roubar um carro. Perseguiram-nos. No entanto, um deles escapou enquanto o outro se transformou numa cabra», relatou o porta-voz da polícia de Kwara, Tunde Mohammed.”

Sou só eu ou o destaque à desnecessária descrição do bicho (“negro e branco”) deixa margem para a possibilidade de algo racista neste artigo? Carambas.. é uma cabra... e porque raio haveria alguém quer transformar-se em cabra, não seria mais apropriado transformar-se num pássaro e realmente escapar à prisão...?! ou então, mas simples ainda, transformava o Mazda em cabra e livrava-se das provas, apesar de ir de cabra para casa... isto ao menos indica-nos que era supostamente uma assaltante, ou não seria, assim, mais apropriado transformar-se em cabra mas sim em bode... acho engraçado que o outro tenha escapado. Talvez tenha entrado a tempo na sua nave espacial e viajado para mundos distantes, ou entrado num dos portais para o sub-mundo onde viveu com os gnomos e as nínfas...


Ou então saber quais os bens e maravilhas do estado e governo deste país onde tenho vivido:

“SINISTRALIDADE Entre 1 Janeiro e 7 de Março, os acidentes de viação provocaram 114 mortos, 388 feridos graves e 3406 feridos ligeiros. O número de mortos é igual ao registrado no mesmo período de 2008, mas este ano há menos 27 feridos graves”; “22 POR CENTO foi quanto o volume de negócios na indústria caiu em Janeiro face ao mês anterior”; “POLÍTICA Em entrevista à Renascença, Jorge Sampaio pediu uma nova maioria absoluta nas próximas legislativas para que seja assegurada «uma estabilidade governativa» num «momento de crise»”

Não é refrescante saber tais boas novas?!


Reparei também que no fim da maior parte dos jornais, havia um espaço para o seguinte:

Isto confundiu-me desde então que lhe pus vista em cima... estes senhores afirmam poder modificar as coisas para melhor, prever o futuro, desvendar mistérios, e ajudar em qualquer outra matéria que causa transtorno a qualquer alguém... ora muito bem, mas então porque não encontram eles a bomba perdida...?! ou porque não evitam eles a destruição de casas para a contrução do TGV ou uma eventual melhor solução...?! ou porque não resolvem eles o mistério da cabra que rouba carros...?! porque não evitaram eles os acidentes de viação, ou a queda da percentagem do volume de negócios na indústria, ou dissolvem a crise...?! mas mais importante ainda, porque não ensinam eles as maravilhas da arte de varejar...?! e acima de todas estas importâncias, porque é que eles todos tem nomes estranhos...?! será que eles não se podiam chamar “professor Rui” ou “Astrólogo Mestre Luis”....


Aah… o jornal é mesmo um instrumento que agora me diverte e mete medo...

Ah!! E os brindes. Não esquecer os magníficos brindes. Reparem só:

Bem... assim não se percebe mas o folheto pede que se agarre em ambos os lados do folheto, enquanto que se puxa o “rato”! Ora recapitulando: a mão direita agarra no lado direito do folheto, mão esquerda agarra no lado esquerdo do folheto enquanto que a mão do meio puxa o “rato”, está certo... e só de pensar que há pessoas só com duas mãos... é de meter pena...


Sr. Rodriglomeu

18/07/2009

Eu sou parvo, tu és parvo, todos nós somos parvos


África do Sul - dwaas
Albânia - budalla
Alemanha – dummkopf
Arábia – مغفلة (mrflh)
Bielorussa – дурань
Brasil – babaca
Bulgária – Щурчо (shtchuptcho)
Catalão – tonto
Checa – blàzen
Croácia – budala
Dinamarca – nar
Eslováquia – hlupák
Eslovénia – tepec
Espanha – tonto
Estónia – tobu
Filipinas – loko-loko
Finlândia – Typerys
França – idiot
Grécia – ανόητος (anoetoz)
Hausa (Norte da Nigéria, oeste de África) – hankaka
Hebreu – טיפש (trpsh)
Holanda – dwaas
Hungria – bolond
Indonésia – dungu
Inglaterra – fool
Irlanda – amadán
Islândia – kjáni
Itália – sciocco
Látvia – muļķis (mullkiss)
Lituânia – kvailys
Macedónia – будала
Malaia – dungu
Maltês – iblaħ
Noruega – tosk
País de Gales – twyllo
Pérsia – ابله (ablh)
Polónia – głupi (gwupi)
Portugal – parvo
Roménia – nebun
Rússia – дурачок (duratchok)
Sérvia – будала (budala)
Suaíli – mpumbavu
Suécia – dumbom
Suiça – dåre
Tailândia – โง่
Turquia – aptal
Ucraniano – дурень (duren)
Vietname - ngu ngốc
Yiddish – נאַר.


Sr. Rodriglomeu

18/05/2009

Saúl

Bem eu últimamente tenho andado a expandir os meus conhecimentos músicais e por isso aqui está mais uma letra de outra grande música, homenageando então o grande ..QUIM BARREIROS! (e esta! enganei-vos!! e vocês a pensar que era sobre o Saúl!! é para aprenderem que não podem acreditar em tudo o que lêm!) E agora sem mais demoras ... a letra tão esperada!

Quim Barreiros: Chupa Tereza

Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa
Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa

Há gelado de morango, baunilha e abacaxi
As garotas do meu bairro vêm todas chupar aqui
Há gelado de banana, um fruto da natureza
Mas aqui tenho um gostoso que guardei prá Tereza

Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa
Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa

Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa
Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa

Há gelado de morango, baunilha e abacaxi
As garotas do meu bairro vêm todas chupar aqui
Há gelado de banana, um fruto da natureza
Mas aqui tenho um gostoso que guardei prá Tereza

Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa
Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa

Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa
Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa

Há gelado de morango, baunilha e abacaxi
As garotas do meu bairro vêm todas chupar aqui
Há gelado de banana, um fruto da natureza
Mas aqui tenho um gostoso que guardei prá Tereza

Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa
Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa

Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa
Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa

Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa
Chupa Tereza, chupa Tereza
Que este gelado é feito de framboesa


P.s: Sim eu sei!! Uma verdadeira pérola esta música! E nada repetitiva! Sim pode parecer estranho mas é só esta a letra! Eu próprio estive a ouvi-la e a escrevê-la!


Sr. Arrenegadex

16/05/2009

Mente Parva - Moda Para Todos


Hoje aprendi coisas novas, como sempre o faço todos os dias: observação, reprodução, aprendizagem. Hoje aprendi que vivemos, todos, numa sociedade de coisas parvas, coisas que suscitam novas coisas parvas, mais parvas ainda que as anteriores. E nós, que somos pessoas não muito selvagens, estamos cada vez mais parvos, cada vez mais parvos com o que somos, com o que fazemos de nós mesmos, com o que observamos e reproduzimos a partir de outros que são mais parvos do que aquilo que nós já somos, e é assim que aprendemos a ser parvos a cada dia e a cada dia cada vez mais parvos.
Por exemplo, a moda:
O que é a moda? O esplendor e o glamur que se atribui a esta… esta coisa?
A verdade é que a resposta não é difícil. É até muito simples. A moda é parvo! Volto a dizer: a moda é parvo! Repito: a moda é parvo! A moda é parvo! É parvo! Parvo!
Qual será a necessidade de criar um “estilo” que, se sabe, vai morrer? Qual a necessidade de fazer criar uma maneira de ser ou estar, mesmo que seja mais desconfortável de sempre? Mesmo que não tenha qualquer utilidade?! Pouca? Não! Nenhuma!
Existem três estádios da moda: o nascer, o morrer e o renascer. Primeiro há que usufruir do nascer, e quem não estiver neste primeiro estádio, nesta moda é parvo. Depois a moda morre, e passa-se para o segundo estádio, a maioria deixa a defunta moda e passa para outra, a estes dá-se-lhes o nome de SMP (São Mesmo Parvos). Porém há sempre um ou outro que fica preso e casou com aquela moda, a este segundo grupo, dá-se-lhes o nome de PPTQSMNTCODPPMOTSMAMNHCS (Parecem Parvos Tanto Que São Mas Não Tanto Como Os SMP Ou Talvez São Mais Ainda Mas Não Há Como Saber), mas devido à grande extensão da sua própria dimensão verbal, este nome resume-se simplesmente para o termo científico “P2” (Parvo ao quadrado). Então, os SMP’s, por razões desconhecidas, mas provavelmente relativas ao nosso instinto animal, olha sempre de lado e goza com quem ficou para trás, com os P2, como se nunca tivessem sido assim também. Isto faz-me perguntar porque razão uma coisa é boa num dia e no outro deixa de ser, sem que essa coisa se altere em nada… claro que o que se altera é nada mais que a nossa mente não muito selvagem, mas isso faz-me perguntar porque razão se altera assim a nossa mente. Mas uma vez mais, a resposta é simples: muda, a nossa mente, porque é parva! Depois, vem o terceiro e último estádio, e mesmo quando os que ficaram para trás estão agora a conseguir as assinaturas dos seus divórcios com antigas modas, essas mesmas modas renascem das cinzas como que Fénix das montanhas ou das florestas… tanto faz… assim é que se chega ao pico da parvoíce no que diz respeito à nossa mente e à moda: os SMP voltam ao que foram e reutilizam aquela maneira de ser ou estar esquecendo-se que outrora haviam maldito quem era assim, por isso são agora, neste terceiro estádio, chamados de DPPM (Demasiado Parvos Para Mim). Este comportamento desperta, muitas vezes, nos P2 sentimentos estranhos, e deixam-se confusos por aquilo que são e foram e morrem na sua parvoíce chamando parvo a todo aquele que o foi!
Ora, como lógica das coisas, estes parvos todos, tornam-se mais parvos ainda, por aquilo que disseram de si mesmos, sem que se apercebam do mesmo. E é assim que as coisas vão acontecendo dia após dia, parvoíce após parvoíce, e as pessoas, de mente pouco selvagem, cada vez mais parvas, aumentando os seus níveis de mestres-parvo sobre si mesmas, mais parvas ficam, tornando tudo onde vivem mais parvos do que outrora foi.


Sr. Rodriglomeu

25/04/2009

Ervilhas


Ora, vamos lá pensar!
Haverá maior estupidez que a dúvida do pensamento?
Bem... se eu duvidar se penso ou não, não teria já de fazer um esforço para analisar duas vertentes e haveria aqui, desde então, uma certa complexidade na própria análise entre sim e não ou existência ou inexistência e o que é ou não é? E para a definição destes conceitos, não estaria, já, a pensar...? Mas e se eu for uma pessoa confiante e não lunática que perde o seu tempo em busca de respostas vãs, e não duvidar do meu pensamento? Será que assim sendo eu não penso? Talvez o meu pensamento é só fruto do que nada é! Mas se fosse, que seria eu se nada também?! Talvez fosse como que uma ervilha que cria mundo maior que o nosso na sua grande complexidade estrutural interna... sim, isso mesmo, uma ervilha! São as ervilhas quem dominam este mundo! Tem as melhores capacidades mentais em todo o universo os seus níveis de inteligência superam qualquer outro! Decifram os enigmas que estudamos à séculos, em breves segundos; desmistificam as mais difíceis dificuldades humanas num abrir e fechar de olhos... se os tivessem... pois é esse o seu mal! Porque por ironia do destino, não têm qualquer membro se não o só que o são! e são apenas pequenas bolas, inúteis apesar do seu vasto conhecimento e forte saber.
Muitos não sabem, mas as ervilhas foram, outrora, de cor vermelha! Infelizmente para elas, o tempo não as deixou evoluir e se transformarem em seres humanóides com capacidades de movimento sincronizado e próprio. Assim foi que se tornaram verdes, consumidas pelas invejas que sofreram durante toda a sua existência ao nosso lado! Pois apesar de nós seres incultos e desajeitados de cérebro, tínhamos membros dos quais nos orgulhávamos e dávamos uso, desde que éramos jovens macacóides, inclusive agarrar e comer os seres mais inteligentes de sempre!
Com os anos, as ervilhas decidiram que precisavam de algo para por em prática os seus planos diabólicos consumidos por invejas! Então, por meios telepáticos, as ervilhas começaram a dominar os fracos e inexplorados cérebros de uma certa espécie símia e começaram a guiar os jovens macacóides, porque esses tinham membros e eles não!
Esta é a explicação para a qual apenas uma espécie entre milhares de outras, adquiriu uma inteligência algo maior.
As ervilhas estavam revoltadas e queria elas ter membros, mas nem o tempo lhas concedeu, então por invejas incrementadas, fizeram do homem, objecto de guerra entre si mesmo, e disputavam de tudo com massacres desnecessários, e assim é que se explica toda a cultura e a sociedade em que vivemos e porque somos tão maus: porque as ervilhas diziam "se não podemos usufruir de membros, mais ninguém o fará"!
Contudo, muitos anos tem passado... e nós, que agora somos chamados humanos, antigos macacóides, começamos a ter a nossa própria "inteligência" à parte da influência da Ervilha, e usámo-la para a eventual discussão de que se seria mesmo nossa a nossa inteligência ou se seríamos apenas inteligência da inteligência de outrem!
Eu porém, prefiro constatar e admitir de uma vez por todas que sou um antigo macacóide e que a minha inteligência é fruto de uma ervilha, ainda que a ervilha seja "fruto" para a minha barriga!
Assim é que eu não penso se penso ou deixo de pensar - apenas penso porque uma ervilha me faz pensar!


Sr. Rodriglomeu

11/01/2009

Senhor Lixeiro


Quem é esse senhor a quem chamam de lixeiro? Quem é esse homem de fácil repugnância quem de fora vem? Quem é ele, ser desprezado pela sociedade que o envolve?
Muitos dizem que ninguém ele é, outros dizem que alguém sem qualquer importância, poucos ainda, dizem que o lixeiro é causa de desordem e agonia a toda a raça dos narizes sensíveis. Porém, eu, digo algo mais, e a favor de todo o senhor lixeiro, digo que tal presença, tal ser, é razão de grande felicidade e alegria.
Se não, vejamos! O senhor lixeiro é o mordomo do mundo, o verdadeiro herói, o Cavaleiro da nova Era, esta nova geração. É ele que se arrisca pelo mundo do lixo, gastando a sua vida e saúde em nome da limpeza do lixo de cada rico na sua própria degradação.
Este herói, novo cavaleiro, empunha uma forte e espigada vassoura como arma de combate, da sua armadura veste cotas de borracha, largo o macacão pendurado pelos ombros, luvas resistentes a muito e algo mais, e, ainda por vezes um chapéu de pala larga e comprida, e o seu corcel, o mais forte, o mais rápido, o mais duradouro, e resistente de todos os corcéis, proveniente das famílias de longa linhagem de mustangues garanhões, e eram chamados de camiões; ao idioma destes bravos cavaleiros, chamavam de “calão”.
E assim como todo o herói, todo o senhor do lixo tem uma forte hoste de guerreiros inimigos, espalhados por todo o reino, e sem descanso, estes novos cavaleiros percorrem as ruas e em honra da glória da limpeza do mundo, sujam as suas mãos aquando as lutas travadas contra os seus ferozes inimigos, os quais são chamados de contentores, caixotes, e entre outros, e eram de uma fisiologia muito regular, mas eram vazios, ocos e sem nada para oferecer, portanto, da sua tristeza e vastidão de vazio no seu próprio vácuo, nasceu-lhes um ódio que os consumia e os levou a encherem-se de todo o lixo e porcaria que conseguiam devorar.
Foi deste acto de auto-ódio melancólico e rancor que foi criada a grande liga de todos os senhores lixeiros, os quais devotaram as suas vidas à procura e exterminação de todo o lixo existente no grande reino, o qual chamamos mundo, e prometendo assim enterrá-los no cemitério que lhes foi apropriado, e a tal lhe chamavam de lixeira.
Pois então, pelos factos que vos apresento, faço breve mas forte apelo a todos os que outrora desdenharam de todo o senhor lixeiro: façam-nos honrosos pela boa obra que cumprem, pelas ruas limpas por onde todos nós andamos, pelos caixotes e contentores que todos enchemos e não esvaziamos, pela reciclagem de que usufruímos, pela limpeza do mundo em que vivemos. E se pelo mínimo, por vossa própria vergonha não se juntarem a esta liga que visa conservar o nosso mundo e tornarem-se assim heróis cavaleiros da nova Era, ao menos que respeitem quem o faz, e todo aquele que senhor lixeiro e todo o seu trabalho, ou acabaríamos emersos no lixo de nós mesmos.


Será escusado de dizer que esta história é baseada em factos reais e actuais da sociedade em que vivemos!
Brincar a brincar, vamos ser prestáveis ao mundo em que vivemos e colaborar para a sua preservação!


Sr. Rodriglomeu

10/01/2009

A Conversa De Quem Não Tem Com Quem Ter Conversa

Naquele dia em que a velhota atravessou as estrada B nº 25 e o rapazinho disse: EEHH OOOHhh, saí de casa na minha carrinha Turbo DIESEL 2.5cc intercooler ar condicionado mp3 dvd com egg3 2000 incorporada e mijas mijas tunings, para dar uma volta, e procurei pelo meu caro amigo Sr. Rodriglomeu. Fui buscá-lo a casa e decidi-mos procurar qualquer coisa, qualquer coisa que se chama café Concerto ao que Sr. Rodrigolomeu insiste em dizer que não existe, mas um dia ainda hei de lhe provar que o café Concerto existe e está lá. E vocês perguntam onde. Vocês: - Onde? Eu: - Pois. Também não sei.
Lá seguimos viagem mas o inevitável teve de acontecer. A capacidade extraordinária e chata que Sr. Rodrigolomeu tem de falar sem se calar um segundo que seja.
Como sempre, lá ia eu concentrado na minha condução perfeita e ele sempre a "cacarejar" que nem uma galinha.

Aqui fica um pequenino excerto de que me lembro:

Olha, lembraste do outro dia, de quando estávamos lá em cima nos balcões que se erguiam sobre toda aquela rua que passava à volta da avenida principal da praça do além e tu disseste que não te lembravas de quando tínhamos ido à fazenda do grande bate-chapas de Uma Pequena Aldeia para comprar aquelas ligas de cobre para ofereceres ao teu irmão mais novinho, naquela época natalícia em que passamos pelo Inverno mais terrivel e tenebroso de todos os Invernos que vimos passar nos últimos meses, depois do Verão em que te disse que mais valia viver dentro de um frigorífico durante todas a vinte e três horas do dia (sendo que uma última hora, aproveitá-la para o acto natural e inevitável de cada ser que possui um ânus) do que ir apanhar um escaldão na praia às custas de alguns escassos minutos de prazer e alegria, e disse também que ainda que a água da praia pudesse ser fresquinha, nada nunca se comparou ao interior de um frigorífico, e tu discordavas amarguradamente dizendo que nos pólos era bem mais fresquinho e eu discordei com desdenhe dizendo que os pólos não eram fresquinhos mas frescotes e tu disseste que a tua namorada esquimó dizia que era fresquinho e eu disse que a minha namorada das Áfricas dizia que era frescote e tu disseste que a tua namorada esquimó era mais forte e eu disse que a minha namorada das Áfricas era mais alta e tu disseste que a tua namorada esquimó era mais gorda e eu disse que a minha namorada era mais peluda e tinha um hálito extremamente forte e arrogante, e tu ias para dizer algo mais mas ficaste cheio de medo e calaste a boca que tinhas entre nariz e queixo e depois eu perguntei-te desde quando tinhas uma namorada esquimó e tu respondeste que desde que tinhas viajado para as torres do forte das montanhas do largo verdejante onde não havia lixo e reinavam lá músicas e cento e dois arco-íris, e depois perguntaste-me tu, desde quando tinha eu uma namorada das Áfricas e eu respondi-te que desde que tinha ido à mercearia lá da esquina que ficava naquela rua que passava à volta da avenida principal da praça do além que ficava sob os balcões que se erguiam sobre toda essa mesma, e depois tu disseste “mas isso à pouco, mesmo antes de virmos para aqui” e eu, com todo o fôlego e emoção que tinha em mim, disse “sim” e tu disseste “não vi nada” e eu, buscando todas as forças que me restavam, disse “sim” e tu disseste “então pronto” e eu disse “pois, cá estamos” e depois começou a chover chuva muito molhada em forma de gotas de água, a qual escorria pelos escorredouros como que um elefante que cantava o “Malhão”, lembraste disso????

Ao que eu respondi: - Ya.


Os acontecimentos desta história são baseados em factos reais e assistidos pelo próprio narrador.

Sr Arrenegadex