15/12/2008

Gritos no Forte de Alqueidão


Nas pequenas, esquecidas e longínquas terras de Uma Pequena Aldeia, viviam dois jovens rapazolas, Sr. Rodriglomeu e Sr. Arrenegadex. Na sua amizade partilhavam ambos a sua estranheza e esquisitice, ambos muito curiosos a mistérios “indesvendados”… ou pelo menos assim pensavam eles, porquanto “desvendado” tinha já o prefixo de contrário a “vendado” e por isso eram sim curiosos ao vendado, ao inexplicável, a coisas que citadinos nem paravam para pensar, coisas que os que se intitulavam mestres e conhecedores não tinham sequer conhecimento nem capacidades para que nelas pudessem debruçar a sua dita inteligência, coisas nunca antes vistas, coisas extenuantes, coisa como… como caracóis de carapaça dura, amontoados de pedregulhos com leves porções de musgo, ou até mesmo doenças renais em animais de pequeno porte!
Apesar das suas parecenças de interesses, ambos diversificavam-se em grandes diferenças físicas: Sr. Arrenegadex esticava-se na sua imensa altura para todo o céu controlar, Sr. Rodriglomeu esticava-se na sua largura para largas estradas ocupar! Juntos faziam uma boa dupla de aventureiros aquando combinavam as suas super qualidades: Sr. Arrenegadex via muito bem, até os mais distantes horizontes ele avistava, e com as suas, bem arqueadas orelhas, ouvia os mais ínfimos sons; Sr. Rodriglomeu tinha um poderoso cheiro, por isso o seu olfacto estava estragado, e desta forma afastava qualquer mal que os enfrentasse, e tinha também um forte paladar com o qual conseguia saborear coisas que os ajudavam a atravessar florestas “indesbravadas”… ou pelo menos assim pensavam eles, porquanto “desbravado” tinha já o prefixo de contrário a “bravado” e por isso ajudavam sim a atravessar florestas “bravadas”, provando um bocado de terra, folhas ou excrementos para identificar a sua frescura, e devo dizer que uns eram bem frescos!
Num dia aborrecido, sem nada para se fazer, decidiram desbravar uma floresta ainda “bravada”! Mas infelizmente só uma restava ser desbravada, uma onde coisas estranhas aconteciam, uma onde poucos iam… e voltavam, a floresta cuja qual, em certos reinos, o seu nome não podia ser sequer nomeado, assim com na reino do “Fanhosos” ou dos “Spinhas de Mafa” e nem mesmo os “Mexilhõessss” a diziam, porquanto quando o tentavam, saíam sempre coisas como: “Folhte de Arquidão”, ou “Fjhoute de Aljhqueidon” e por vezes os mais atrevidos diziam ainda “Frlatromin drhhee Ahrlcuerdianomimn”! Enfim, Forte de Alqueidão era o seu nome, e era de facto um sítio escuro e tenebroso, mas estes dois jovens eram destemidos e… e… e não tinham mais nada para fazer, então partiram em busca do que nem esperavam!
Era fim da manhã, princípio da tarde, prelúdio da noite quando partiram, mas o caminho era comprido e parecia sem fim… mas tinha fim, e a um fim eles chegaram, mas para seus males, o céu escurecia-se cada vez mais, e cada vez mais, mais rápido se escurecia! Entraram então naquela medonha floresta e naquela hora, naquele momento, Sr. Rodriglomeu e Sr. Arrenegadex viram com os seus próprios olhos (ainda que Sr. Arrenegadex, vira também com os olhos da galinha Feijão, que a trazia sempre nas costas), que todos os animais se escondiam e num momento constrangedor, todos os animais desapareceram, e até o Sol se escondera por detrás dos montes! Sr. Arrenegadex só teve coragem de dizer:
- Hei, pelo menos pede perdão…! Dizia enquanto que tapava o nariz.
Continuaram o seu caminho por entre as altas árvores, que zumbiam ao soprar do suave invisível vento, porquanto a noite era calma, mas escura, estrelada mas sem lua, e a floresta era medonha e sem pena de parvos que se atrevessem a atravessa-la. Não obstante, estes dois parvos eram também os maiores guerreiros de toda a Uma Pequena Aldeia, e não se deixavam atormentar pela fúria de mais uma floresta, ainda que essa fosse a pior de todas as outras todas.
De repente, em muito pouco tempo, e céu se cobriu de nuvens para se esconder da floresta e nem ponto e nem ponta de estrela brilhava mais, o ambiente silenciou-se e nem o vento soprava, porquanto fugira ele também à floresta. Os jovens continuavam a caminhar indiferentes ao medo na sua ignorância, mas os seus passos deixaram de se ouvir, porquanto até o som fugira à terrível floresta!
Foi aqui, e pela primeira vez que a galinha Feijão se separou do Sr. Arrenegadex, e então, também pela primeira vez, eles temeram a floresta! Agora caminhavam em medo sob e sobre nada se não a escuridão da floresta do Forte de Alqueidão. Para atenuar o medo, tentavam fazer conversa fiada, mas só conseguiam discutir:
- Coff, coff! – Tossia um!
- Hatchiimm!!! – Espirrava o outro!
Por fim chegaram então a uma acordo, primeiro tossiam e só então espirravam! Por vezes ouviam ruídos de fortes e pesadas asas de grandes orcs voadores que sobrevoavam os flancos aéreos, outras vezes ouviam ramos partirem… eram os seus ossos que estalavam de medo, outras vezes ouviam o cair de um gotejar tenebroso… era suor da quente e abafada noite, outras ainda, ouviam fortes ronronantes e roncares vindos de trás e bem de perto… eram puns de medo, porquanto a floresta começava a ganhar força na sua tenebrosidade, quando de repente silenciou-se na noite, aquela floresta e tudo o que ela cobria.
Quando do nada um forte, longo e estridente grito chamou as almas dos pobres rapazes, de tão perto quanto o interior dos seus ouvidos, e caíram em medo, enquanto prolongava-se o berro na sua amplitude e terror. Os corações de Sr. Rodriglomeu e Sr. Arrenegadex saltaram-lhes para fora e estavam brancos, porém o de Sr. Rodriglomeu tinha também estrias e bolinhas amarelas. Depois de coração nas mãos, comeram-no para o terem de volta neles mesmos e depois olharam uns para os outros com cara de “buzos” enjoados! Entretanto o berro cessou!
- Bolas, mas que cagaço! - Dizia um, pois ali mesmo o tivera em medo.
- Credo, mas que cagado! - Dizia o outro, pois, ali mesmo o fizera de medo.
Nisto empalideceram-se seus rostos e pela primeira vez ganharam o medo, mas mesmo assim foram avante e enfrentaram aquela floresta, porquanto nenhuma outra os tinha vencido antes, e venceram-na mesmo porque a sua estupidez era analgésico para os seus medos! Então as pesadas e espessas nuvens se dissiparam, as estrelas voltaram a brilhar, o vento soprava, os animais corriam para eles e os gratificavam e baptizaram-nos de reis de Alqueidão.
Felizes por mais uma aventura, voltaram para casa com coroas de gays… quero dizer, de reis! Hum…
Na volta para cá, já longe do Forte de Alqueidão, ouviram alguém dizer:
- Hhheeeeeeeuuuuh uhhh duuuhhhh! Era Nicolau Cara de Pau! E aquelas “palavras” ficaram nas suas mentes até chegarem a suas casas, e dormiram com o tilintar daquele som nos seus ouvidos, que os atormentou durante várias e longas semanas!


Os acontecimentos desta história são baseados em factos reais e vistos pelos próprios olhos do narrador (cerca de 27% desta história são ficção)!

Sr Rodriglomeu

2/Set/2008 18:30

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