
Certo dia, Sr. Rodriglomeu passeava-se por terras distantes nos arredores de Uma Pequena Aldeia. Decidira explorar a novidade da sua cultura geográfica, para a expandir aos seus próprios limites. Por isto, perdia-se na distância percorrida, mas encontrava-se na alegria que lhe despertava a cada andorinha ou coelho de toca de larga, que ao verem um novo estranho, lhe cantavam melodias agradáveis que soavam ao som do mel, e dizia assim o pardal:
- Piuhui hiuip puipi tiriti pipuihi! - que no fundo queria dizer pouco mais que “pah, põe-te daqui p’ra tua toca, t’ás a perceber, pilantra!” Mas aos ouvidos de Sr. Rodriglomeu, era pura música da natureza. E dizia assim o coelho de toca de latão:
- Huinf… grunf funf lunve, det dif vevl di hein dim gunf! – Que no fundo queria dizer pouco mais que “bah… c’um canudo ó moçoilo, bê lá se bais chatear os de lá, que os daquei já têm a sua dose!” Mas aos ouvidos de Sr. Rodriglomeu, era pura música da natureza.
E ali deixava-se a ouvir o soneto da natureza que sem se aperceber o repudiava, enquanto que passeava pelos trilhos de terra batida que se encontravam espalhados um aqui e outro bem longe do último, porquanto terras mais remotas, só mesmo em contos de fadas, ogres, elfos, humanos honestos, crianças ávidas de lentilhas e brócolos para o jantar, ou até mesmo pelo jantar, presidentes da república com um QI superior a 4, preços petrolíferos em decréscimo, justiça na democracia, guerras com um propósito, enfim histórias de fantasia onde muito é impossível. Tentava, então, não se perder, por entre os trilhos poucos usados, como a Britney Spears… brru… grreeiee… sstt… bruahahahahahahahahah! Hoy, desculpem, mas não resisti à piada, gruuhahahahahaha….
Depois desviou-se e entrou numa pequena vinha, e caminhou sobre ela e sob o pesado sol que o fazia transpirar tanto que por vezes, quando o seu suor lhe escorria e caia até ao chão, destruía todo o tipo de vida com que entrasse em contacto, até encontrar um robusto arbusto que o chamou à atenção, e dizendo:
- Oh pacóvio! – Sussurrou.
- Quem eu? – Perguntou Sr. Rodriglomeu e fez cara de parvo para o robusto arbusto ao vê-lo falar-lhe.
- Sim tu, - Retorquiu o robusto arbusto - não faças cara de parvo! Estou a chamar-te à atenção! – Disse num tom desagradável e depois repetiu - Estou a chamar-te à atenção! – E ainda acrescentou – Já disse para não fazeres cara de parvo!
Sr. Rodriglomeu sentiu-se confuso ao ouvir tal ordem, pois sabia não estar a fazer qualquer expressão facial propositada, desviou o olhar e olhou uma poça de agua que ali vivia entre a lama que a acolhia como uma família ratazanas, e nela viu o seu reflexo, e logo uma cara parva se lhe reflectiu, desfez o olhar e tentou ignorar o assunto. Depois olhou intensamente o robusto arbusto que o chamara à atenção e tentou ver para além da sua imensa espessura, que eventualmente tomou vitória sobre o seu olhar. Sr. Rodriglomeu sabia que a única maneira de saber o que havia para além do robusto arbusto provocador era atravessa-lo, por isso fez-se a ele e atravessou num salto que fez inveja ao coelho de toca de latão, à rã e ao pirilampo mágico.
Já do outro lado do robusto arbusto, Sr. Rodriglomeu olhou a paisagem e viu que era, no mínimo extremamente pequena, porquanto dois passos em frente ao arbusto erguia-se uma alta escarpa. Lá de baixo achou ver uma espécie de jardim no topo da arriba, e maravilhou-se com a ideia de estar tão perto de um jardim onde pudesse descansar e secar o seu suor. Logo e o mais rápido que pode, trepou pela escarpa acima arranhando-se em silvas amargosas que desciam das árvores do jardim para lhe atacar os braços e pernas que o puxavam e empurravam até ao cimo do seu destino. Assim que lá chegou, olhou o que havia para olhar e viu um belo jardim, onde logo se atirou para o chão e lá se fez descansar.
Deitado no chão, olhava as suas feridas, e contava-as. Depois viu que agora a mesma árvore que lhe lançara as horripilantes silvas, estava vulnerável, e uma liana descia-lhe e voltava a subir e amarrava-se nos seus galhos e ramos lá em cima. Com um olhar sinistro, Sr. Rodriglomeu cruzou o seu olhar com o da, agora pobre árvore, depois levantou-se e muito lentamente caminhou na sua direcção enquanto largava uma pequena malévola gargalhada. Tentando perceber quais as intenções do pequeno humano, a arvore começou a gaguejar enquanto dizia:
- Hoy, qq… que fa.. faze… que fazes tu-hu, oh pi… pi… pique-h-eno?
Mas Sr. Rodriglomeu só ria imaginado a sua vingança pelas feridas causadas pelas suas silvas. Aproximou-se da liana e agarrou-a com toda a força que possuía, e quando tudo parecia perdido para a pobre árvore, Sr. Rodriglomeu sentou-se na liana e usou-a como baloiço, e baloiçando de trás para a frente e vice-versa cantou para humilhação da árvore, que gemia de medo e vergonha, e gritava vingança!
Depois fartou-se de baloiçar, e viu que no fim do pequeno jardim havia um mais patamar que parecia levar a uma espécie de cidade perdida, deslocou-se a sua mente e saltou de alegria por tal descoberta, porém esta escarpa era ainda maior, mais medonha e perigosa que a anterior. Mas decidido, enfrentou os seus medos e fez-se subir aquela escarpa. Começara bem mas a meio caminho andado, ouviu um riso maléfico e audível que se fazia ressoar pelo jardim, e depois disse a voz da árvore:
- Oh pimpolho, pensavas mesmo que escapavas ileso depois do que me fizeste? Ninguém me monta como um baloiço e escapa à minha ira! – E logo soltou uma gargalhada profunda.
Sr. Rodriglomeu via-se em apuros, porquanto precisava dos braços e das pernas para se agarrar à escarpa, e sem puder contar o tempo que passava, num ápice, viu-se envolto em silvas, que vinham de todas as direcções, e logo lhe agarraram a vários metros do chão, como se fosse um fantoche de segunda, e brincava a árvore, com ele enquanto soltava gargalhadas que se interpelavam aos gritos de dor de Sr. Rodriglomeu, que entre tanto, cerrou os olhou, fez postura de “mauzão”, e do seu bolso sacou o que lhe salvaria a vida: uma espectacular e insubstituível tesoura de cortar cabelo tosco, levantou-a bem alto e fê-la brilhar ao reflexo do sol que ainda pairava alto no céu, depois deu um grito de guerra “grrrhuuwarlalalalalalalalalalalalalalalalal haaaiiiiiiiiiiiiii”, e muito ferozmente começou a cortar cada ramo que o aprisionava, um a um. Devagar ia descendo, à medida que a árvore ia recuando em retirada, para sua dupla humilhação.
Por fim, libertou-se por completo, e logo desceu a escarpa, saltou de novo por cima do robusto arbusto. Depois, virou-se, e enquanto lhe escorria o sangue da sua batalha, gritou para a árvore e para quem mais o quisesse desafiar:
- O meu nome é Rodriglomeu, o “cabeleireiro das árvores rebeldes”, por isso ponham-se a pau, e isto literalmente: ponham-se a pau! – E logo mandou-lhe uma gargalhada vitoriosa, mas não obteve resposta. Tentando remendar as suas feridas de guerra, voltou aos trilhos de terra batida. Eram aborrecidos mas mais seguros, ou pelo menos assim pensava Sr. Rodriglomeu. Agora, depois de algum tempo de sossego que conseguira encontrar por entre a guerra das árvores rebeldes e arbustos respondões, caminhava perdido, num trilho estreito, muito estreito, demasiado estreito para o seu gosto, quando do nada, e muito tenuemente, começou a ouvir um roído, que se fazia aproximar muito rapidamente. O som que fazia não era nada agradável e perturbava toda a natureza, e agravava-se cada vez mais e tornava-se cada vez mais audível, lá no fundo do trilho, subia uma enorme nuvem de poeira que subia de algo que corria aquele mesmo trilho a grande velocidade.
Assustado, Sr. Rodriglomeu via uma a nuvem de poeira a aproximar-se cada vez mais, e de tão estreito que era o trilho, não via maneira de se desviar, e pensou que seria ali o seu fim, quando de repente, a nuvem para mesmo diante dele, e quando a agitação amainara e a poeira caiu sobre a tranquilidade do seu próprio peso, Sr. Rodriglomeu pode ver uma enorme carrinha branca que se estacava mesmo à sua frente, a poucos passos de distância. Logo uma porta se abriu, e ainda assustado, pensou o pior, mas depois saiu o condutor e era alto e magro, e logo se acalmou e descansou o seu coração que entre tanto escondera entre pulmão e pulmão, quando viu se tratar do Sr. Arrenegadex, e sem esperarem mais riram os dois que nem os parvos que eram, e se não, como os parvos que faziam parecer serem, e durante vários minutos riram de tanta coincidência e… e… bem, e nada mais, se não as suas parvoíces. Entraram os dois na carrinha e seguiram viagem em direcção do pôr-do-sol, enquanto que Sr. Rodriglomeu contava as suas mais recentes aventuras, ao que Sr. Arrenegadex fingia ouvir-lhe, enquanto fazia desaparecer a paisagem que ficava para trás, com a poeira que levantava debaixo da agitação da sua imensa carrinha!
Os acontecimentos desta história são baseados em factos reais e contados ao narrador na primeira pessoa (apenas cerca de 07% desta história são ficção)!
Sr Rodriglomeu
10/Nov/2008 5:07

Sem comentários:
Enviar um comentário